segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dilma repete ajuste fiscal que aprofundou crise na Europa


Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, classificou o seguro-desemprego como “completamente ultrapassado”. O ministro teria usado o benefício como exemplo para defender a necessidade de cortes e reformas no Brasil, que já vêm sendo feitas pelo governo Dilma.

O seguro-desemprego é um dos alvos de recente Medida Provisória do governo, que aumentou o tempo de carência para o trabalhador ter direito ao benefício, de seis meses para um ano e meio.
A nova regra vai prejudicar milhões de trabalhadores. De acordo com matéria do jornal O Valor, 63,4% dos 10,8 milhões de demitidos em todo o país, entre janeiro e dezembro do ano passado, contavam com menos de 18 meses de serviço. Caso já estivesse valendo a nova regra, eles não teriam direito ao seguro-desemprego.

Levy e Dilma demonstram, de forma inequívoca, que não estão nem aí com esse fato.

Apesar de o governo petista estar fazendo malabarismos, na maior cara de pau, para tentar demonstrar que as medidas “corrigem distorções”, temos de analisar a realidade e o caráter de um governo, não pelo o que ele diz, mas sim pelo o que ele faz, a quem beneficia.

O objetivo claro do novo mandato da presidente é garantir a qualquer custo os lucros de banqueiros, empresários e latifundiários, diante da crise que já afeta o país.

Para isso está colocando em prática um verdadeiro pacote de maldades. Aumentos de impostos e tarifas, como luz, água, combustível. Elevação dos juros básicos, aumentando a Dívida Pública para encher os bolsos dos banqueiros e especuladores internacionais. Redução de direitos, que atingem em cheio benefícios históricos como o seguro-desemprego, PIS, auxílio-doença, entre outros.

Para completar, podemos citar o veto da presidente à correção da tabela do Imposto de Renda e a omissão total diante das milhares de demissões que já afetam os trabalhadores, principalmente da indústria automobilística e da construção civil (vítimas da corrupção na Petrobras).

A fala do ministro da Fazenda, assim como as medidas anunciadas por Dilma, são a expressão de que o governo do PT adotou de vez o receituário neoliberal ortodoxo para tocar a economia do país. Nada muito diferente do que o PSDB faria. Segundo o FMI, o governo brasileiro “começou com o pé direito, mas precisa fazer mais”.

Aliás, um receituário que mergulhou os países europeus em profunda crise. Um modelo que foi rechaçado claramente pelo povo grego neste final de semana ao dar vitória ao partido de esquerda Syriza.

Recentemente, o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz foi taxativo: as políticas de austeridade adotadas pelos países da zona do euro para lidar com a crise da dívida foram um “rotundo fracasso”. Estagnaram o crescimento, levaram à recessão, ao aumento do desemprego e da pobreza.

O sistema de bem estar social (walfare state) existente nesses países foi brutalmente desmontado ao longo dos últimos anos. A precarização social que afeta os povos na Grécia, Espanha, Itália, Portugal, França e até mesmo na Alemanha demonstra isso.

Portanto, “completamente ultrapassada” é a atual política de ajuste fiscal do governo Dilma. Uma política que tira dos trabalhadores e dos mais pobres para garantir os lucros dos ricos e poderosos.
Esse começo do ano de 2015 não deixa dúvidas: será um ano de muitos desafios para a classe trabalhadora no Brasil e no mundo.  Mais do que nunca, os trabalhadores precisarão se mobilizar e unificar as lutas para derrotar os ataques do governo e das empresas e impor uma pauta que atenda as necessidades da população.

Trata-se de romper com o pagamento da Dívida Pública, que consome quase 50% do orçamento do país e impede os investimentos em saúde, educação, moradia e outras áreas sociais, de tomar medidas imediatas como a garantia de estabilidade no emprego aos trabalhadores, proibir a remessa de lucros das multinacionais ao exterior, reduzir o preço dos alimentos e tarifas, entre outras medidas.

O próximo dia 28, dia nacional de luta, é um primeiro passo para construir essa unidade e mobilização. Vamos à luta!


Nenhum comentário:

Postar um comentário